Você sai da consulta com a receita em mãos, escolhe uma armação e imagina que agora basta produzir as lentes. Só que, entre uma etapa e outra, ainda existe uma parte importante do processo: as medidas para fazer óculos.
Isso acontece porque saber o grau é apenas uma parte da informação necessária. A óptica também precisa entender como determinadas lentes serão posicionadas diante dos seus olhos e dentro da armação escolhida. Dependendo do tipo de lente, podem entrar nessa avaliação medidas como distância pupilar, altura de montagem e outros parâmetros relacionados ao encaixe da armação.
É por isso que duas pessoas com receitas parecidas não necessariamente recebem óculos montados da mesma forma. E também explica por que trocar apenas a armação pode exigir novas medições.
Ao longo deste artigo, a gente vai mostrar o papel dessas medidas, onde entram a centralização das lentes e a tecnologia de medição e por que essa etapa merece tanta atenção quanto a escolha da lente e da armação.
Se o grau está na receita, por que a óptica ainda precisa tirar medidas?
A receita informa a correção visual prescrita para cada olho, mas ela não diz, sozinha, como as lentes devem ficar posicionadas dentro da armação escolhida.
É aí que entram as medidas para fazer óculos.
Pense na receita como uma parte do projeto. Ela traz informações fundamentais sobre a correção necessária, enquanto as medições feitas na óptica ajudam a relacionar essa lente com a posição dos seus olhos e com a armação que você vai usar.
Isso faz diferença porque cada rosto tem características próprias. A distância entre as pupilas varia de pessoa para pessoa, assim como a posição dos olhos em relação à armação. A própria ZEISS destaca que não existem dois rostos iguais e que o ponto através do qual cada pessoa olha pela lente também varia.
Dependendo do tipo de lente, também podem ser necessários outros parâmetros de centragem. Em sistemas de medição digital, por exemplo, podem ser consideradas informações como distância pupilar, distância entre a lente e o olho e inclinação da armação.
Isso não significa que todo par de óculos precise exatamente das mesmas medidas. Uma lente de visão simples pode ter necessidades diferentes de uma lente progressiva ou de uma lente com maior nível de personalização.
Por isso, a pergunta não é apenas “qual é o meu grau?”, mas também:
“Como essa lente precisa ficar posicionada para mim, nesta armação?”
É essa relação entre prescrição, olhos, armação e lente que ajuda a explicar por que a etapa de medição faz parte da confecção dos óculos.
Quais medidas podem fazer parte da confecção dos óculos?
As medidas necessárias variam conforme o tipo de lente, a armação escolhida e o nível de personalização do produto. Não existe um único conjunto obrigatório para todos os óculos.
Entre os parâmetros que podem entrar nesse processo estão a distância pupilar, a altura de montagem e, em determinadas lentes personalizadas, medidas relacionadas à posição da armação diante dos olhos. A ZEISS, por exemplo, utiliza parâmetros como distância pupilar, distância do vértice posterior e inclinação pantoscópica em seus sistemas de centragem para lentes sob medida.
Distância pupilar e DNP
A distância pupilar indica a posição das pupilas e ajuda a definir onde as lentes devem ser centralizadas em relação aos olhos.
Na prática, essa informação ajuda a relacionar a posição óptica da lente à forma como a pessoa olha através dos óculos. Como a distância entre as pupilas varia de pessoa para pessoa, essa medida precisa ser considerada individualmente.
A Sigma já tem um conteúdo específico sobre esse assunto:
Leia também: Pupilômetro: entenda o que é e sua importância na óptica
Altura de montagem
Outra medida que pode ser necessária é a altura de montagem.
Ela ajuda a indicar a posição vertical da lente em relação aos olhos e à armação. Essa informação ganha importância especial em lentes que possuem diferentes áreas de visão.
Nas lentes progressivas, por exemplo, existem regiões destinadas à visão de longe, intermediária e de perto. A própria ZEISS trabalha com alturas de montagem específicas em diferentes desenhos de lentes progressivas, justamente porque a posição dessas áreas dentro da armação faz parte da configuração da lente.
Por isso, escolher uma armação diferente pode mudar a forma como determinada lente será montada.
Outras medidas usadas em lentes personalizadas
Algumas lentes podem considerar parâmetros adicionais para levar em conta a maneira como a armação fica posicionada no rosto.
Entre eles estão:
- distância do vértice posterior: relacionada à distância entre a lente e o olho;
- inclinação pantoscópica: relacionada à inclinação da armação quando ela está no rosto;
- posição e características da armação: informações que podem participar da personalização dependendo da lente escolhida.
Sistemas digitais de centragem da ZEISS são capazes de registrar esse tipo de dado para a produção de determinadas lentes sob medida.
Isso não significa que quanto mais medidas, melhor será qualquer óculos. O ponto é outro: cada tipo de lente tem necessidades próprias, e as medições devem fazer sentido para o produto que está sendo confeccionado.
Por que a armação precisa entrar nessa conta?
A armação não serve apenas para sustentar as lentes. Ela também define como essas lentes ficam posicionadas diante dos olhos.
Tamanho, formato, inclinação e encaixe no rosto podem mudar essa relação. Por isso, em determinados tipos de lente, a armação escolhida faz parte das informações consideradas durante a centralização e a personalização.
É também por esse motivo que aproveitar medidas antigas nem sempre é a melhor referência. Se a armação mudou, a posição das lentes diante dos olhos também pode mudar.
Em sistemas de centralização digital, parâmetros como distância pupilar, distância entre a lente e o olho e inclinação pantoscópica podem ser registrados levando em conta a forma como a armação fica efetivamente posicionada no rosto.
Por que algumas medidas são feitas com a armação no rosto?
Porque parte dessas informações depende justamente de como aquela armação fica em você.
A inclinação pode variar de um modelo para outro. A distância entre a lente e o olho também muda conforme o encaixe. Até a posição vertical das pupilas dentro da armação depende da combinação entre o rosto e o modelo escolhido.
Por isso, em determinadas lentes, não basta conhecer apenas as dimensões da armação fora do rosto. É preciso observar a posição real de uso.
A própria ZEISS descreve sistemas de centragem capazes de registrar parâmetros do usuário com a armação posicionada, justamente para considerar essas características na produção de lentes personalizadas.
Isso ajuda a entender por que escolher a armação e fazer as medições fazem parte do mesmo processo. A estética importa, claro, mas o encaixe também precisa ser considerado tecnicamente.
Se você está escolhendo uma nova armação, vale experimentar com calma e deixar que as medidas necessárias sejam feitas já com o modelo definido.
Lentes progressivas exigem atenção especial às medidas?
Sim. Nas lentes progressivas, a posição das lentes em relação aos olhos e à armação merece atenção porque diferentes regiões da lente são usadas para enxergar de longe, em distâncias intermediárias e de perto.
A parte inferior da lente, por exemplo, é destinada à visão de perto. Por isso, fabricantes estabelecem alturas mínimas de montagem para que essas áreas possam ser aproveitadas corretamente dentro da armação escolhida. A ZEISS informa que seus diferentes desenhos de lentes progressivas trabalham com alturas de montagem específicas ou variáveis, dependendo do produto.
A centralização também precisa considerar onde os olhos ficam posicionados atrás das lentes. Em lentes progressivas, isso ganha ainda mais importância porque as zonas de longe, intermediária e perto precisam estar alinhadas de acordo com a posição de uso dos óculos.
Isso também ajuda a explicar por que nem toda armação é igualmente adequada para qualquer lente progressiva. Modelos muito baixos, por exemplo, podem não oferecer a altura necessária para determinados desenhos de lente.
Por isso, quem vai fazer um óculos progressivo deve escolher a armação considerando não só estética e conforto, mas também a compatibilidade com a lente indicada.
Na prática, as medidas ajudam a adaptar o produto à combinação entre receita, olhos, armação e desenho da lente.
Pupilômetro e medição digital: qual é o papel da tecnologia?
A tecnologia ajuda a tornar a etapa de medição mais objetiva e a registrar parâmetros usados na centralização das lentes.
Isso não substitui o atendimento técnico. Equipamento, armação, tipo de lente e avaliação do profissional trabalham em conjunto.
O que o pupilômetro mede?
O pupilômetro é usado principalmente para medir a distância pupilar, ou seja, a posição das pupilas em relação uma à outra ou em relação ao centro do nariz.
Essa informação ajuda a definir onde as lentes devem ser posicionadas diante dos olhos.
A Sigma já tem um conteúdo completo sobre esse equipamento:
Leia também: Pupilômetro: entenda o que é e sua importância na óptica
E o que muda com a centralização digital?
Sistemas digitais podem coletar mais parâmetros de uma só vez e considerar a armação já posicionada no rosto.
O ZEISS i.Terminal 2, por exemplo, registra e calcula parâmetros individuais usados na centralização das lentes. A ZEISS informa que o equipamento trabalha com precisão de 0,1 mm e foi desenvolvido justamente para a etapa de centragem e adaptação das lentes.
A Óptica Sigma possui esse equipamento em sua estrutura e já apresentou seu uso em um conteúdo específico do blog.
Leia também: Conheça o Terminal ZEISS i.Terminal 2 na Óptica Sigma
Na prática, a medição digital permite registrar parâmetros do conjunto formado por olhos, rosto e armação escolhida. Isso é especialmente útil em lentes que utilizam dados adicionais de personalização.
A tecnologia, porém, não deve ser entendida como uma garantia automática de adaptação ou conforto. Ela é uma ferramenta para coletar informações com precisão e auxiliar o profissional na configuração das lentes.
É justamente aí que está o valor: usar a tecnologia para fazer uma medição individual, e não tratar todos os óculos como se fossem montados a partir das mesmas medidas.
Medidas bem feitas fazem parte de um óculos realmente personalizado
Personalizar um óculos não é apenas escolher uma armação que combina com o rosto ou decidir entre diferentes tipos de lentes.
Dependendo da lente escolhida, a personalização também pode considerar como aquela armação fica posicionada em você e quais medidas serão utilizadas para a fabricação e centralização.
A ZEISS explica que lentes individualizadas podem ser produzidas a partir de dados fornecidos pela óptica e que, em alguns produtos, entram informações como dados de centragem e dimensões da armação.
Isso significa que duas pessoas usando o mesmo modelo de armação e até prescrições semelhantes não necessariamente terão lentes configuradas da mesma forma.
O mesmo vale para uma pessoa que troca de armação: o novo modelo pode mudar a posição das lentes diante dos olhos e exigir novas medições.
Por isso, a personalização acontece na combinação entre:
- a prescrição;
- o tipo de lente;
- as medidas necessárias para aquela lente;
- a armação escolhida;
- a posição da armação no rosto.
Em determinadas lentes de visão simples, progressivas ou ocupacionais, fabricantes oferecem desenhos individualizados que utilizam dados específicos do usuário e da armação para definir a configuração final da lente.
O objetivo das medidas não é adicionar complexidade à compra. É fornecer informações para que a lente seja confeccionada considerando quem vai usar os óculos e como aquele conjunto ficará posicionado no rosto.
É aí que centralização, medição e escolha da armação deixam de ser detalhes separados e passam a fazer parte do mesmo processo.
Vai fazer óculos novos? Entenda o que vale perguntar na óptica
Você não precisa decorar nomes técnicos para participar da escolha dos seus óculos. Mas algumas perguntas ajudam a entender melhor como a lente será feita e por que determinadas medições são necessárias.
Vale perguntar:
- Quais medidas são necessárias para a lente que escolhi?
- A armação interfere nessas medidas?
- Essa lente utiliza parâmetros de personalização além da distância pupilar?
- Como será feita a centralização das lentes?
- Preciso fazer novas medidas se trocar a armação?
- Existe alguma característica da lente que eu deveria considerar antes de escolher o modelo da armação?
Essas perguntas são especialmente úteis em lentes progressivas e em opções individualizadas, nas quais o posicionamento da armação e parâmetros específicos podem fazer parte da configuração da lente.
O principal é entender que fazer óculos não consiste apenas em entregar uma receita e escolher uma armação. Prescrição, tipo de lente, medidas e posicionamento precisam conversar entre si.
Na Óptica Sigma, a gente utiliza recursos de medição e centralização para avaliar os parâmetros necessários de acordo com a lente e a armação escolhidas.
Já tem sua receita e quer entender quais lentes e medidas fazem sentido para os seus óculos? Fale com a Sigma pelo WhatsApp.
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